Um dos principais desafios do país e dos clientes consumidores de energia atualmente é encontrar soluções céleres, econômicas e significativas para superar as dificuldades em relação ao cenário energético e hídrico que preocupa a sociedade e influencia nosso desenvolvimento econômico. O custo de energia está alto e pode aumentar ainda mais. Existem duas formas básicas de se obter mais energia: produzindo a mesma através de um dos mecanismos disponíveis na matriz energética brasileira (hidroelétricas, termoelétricas, usinas nucleares, dentre outros) ou otimizando racionalmente o uso final da energia atual, observando também as perdas associadas. A primeira solução demanda tempo e altos investimentos o que não resolveria a curto e médio prazo a situação. Utilizar melhor a energia e reduzir as perdas através da execução de projetos de eficiência energética é a forma mais rápida e de menor custo para a sociedade.
Cresce no país a mobilização de organizações e associações trabalhando no incentivo às práticas de construção sustentável e economia de energia. Dentre as principais atividades destes grupos há a promoção de sistemas de certificação, etiquetagem e Selo de edificações projetadas e construídas buscando maximizar seu desempenho energético, bem como atividades de readequação energética de edificações existentes.
Os edifícios privados e públicos do país respondem por 48% do consumo de energia elétrica, de acordo com Fernando Perrone, gerente do Departamento de Projetos de Eficiência Energética da Eletrobras. Em ação para reverter esse elevado índice, o governo federal tornou compulsória a obtenção da classificação ‘A’ do Procel Edifica por todas as novas edificações de sua esfera, incluindo administração direta, autarquias e fundações. “As 28 mil edificações próprias da União, que forem reformadas ou retrofitadas, também terão de alcançar o nível ‘A’. Com a medida, o governo federal pretende que os prédios públicos tornem-se exemplos, dando um indicador positivo para a sociedade”, informa Perrone.
A decisão consta de instrução normativa do Ministério do Planejamento, em vigor desde agosto/2014. Ela estabelece que as compras públicas sustentáveis de equipamentos consumidores de energia devem ter a mais alta classificação dentro do PBE – Programa Brasileiro de Etiquetagem – e do Procel Edifica. A observância fica a cargo dos órgãos de auditoria externa, que são o TCU – Tribunal de Contas da União – e a CGU – Controladoria Geral da União.

ETIQUETAGEM PROCEL EDIFICA

“Tínhamos, ainda, à frente o desafio de incentivar a iniciativa privada a aderir à eficiência energética nas edificações, tanto residenciais quanto comerciais”, conta Fernando Perrone. A estratégia da Eletrobras foi o lançamento do Selo Procel Edificações. “É uma outorga de premiação voluntária às melhores edificações eficientes. O selo tem caráter compulsório para todos os novos prédios públicos federais que, obrigatoriamente, terão de alcançar a classificação ‘A’. O mesmo vale para aqueles reformados”, explica.
Para uma edificação tornar-se elegível para o Selo Procel Edificações é preciso que obtenha a mais alta classificação – triplo ‘A’ – na envoltória, na iluminação e no condicionamento de ar. “Ficam mantidos os bônus referentes às demais providências sustentáveis como reúso de água”, diz.
Já o edifício classificado como ‘B’ ou ‘C’ em qualquer um dos três quesitos, mesmo que a média ponderada alcance o ‘A’, não será premiado com o selo. Perrone adianta que a Eletrobras estuda com o GBC Brasil – Green Building Council – a equivalência entre o Selo Procel Edificações e a categoria da certificação LEED. “Ainda não definimos, mas com certeza será estabelecido um referencial de comparação”, explica.

PROCEL EDIFICA RESIDENCIAL E COMERCIAL

Perrone informa que o Selo Procel Edificações se estende aos prédios comerciais e residenciais, inclusive a casas e apartamentos. “As pessoas passam a ter um indicador claro de que seu imóvel é o mais eficiente durante todo o ciclo de vida útil. O selo transcende a etiquetagem que representa uma comprovação dessa condição”, reforça. Segundo ele, o resultado não poderia ser melhor, pois a economia de energia de uma obra nova premiada com o selo tem potencial de chegar a 50% ao longo de sua vida útil, enquanto que, no retrofit, é de cerca de 30%.
O gerente lembra que continua na pauta da Eletrobras a criação de um programa nacional de consultores credenciados para o processo de etiquetagem Procel Edifica. “Com isso, poderemos alcançar a capilaridade para os segmentos residencial e comercial de pequeno porte”, conclui.

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