O planejamento de obra é uma etapa essencial para garantir o sucesso de um empreendimento – e de uma empresa! No Brasil nós temos o costume de planejar os projetos até um certo ponto e depois improvisar conforme o que aparece, e é aí que costumam ocorrer as perdas, desperdícios e atrasos. Um planejamento de obra cuidadoso auxilia a manter os imprevistos e o caos das obras sob controle, prevendo as entregas e mantendo as atividades dentro do prazo.
Uma matéria da Revista Exame em 2015, chamada “O Custo da Burrice”, demonstra como a falta de planejamento de obra prejudica a construção no Brasil. De acordo com a reportagem, o costume brasileiro é dedicar pouco tempo da obra para o planejamento, ⅕ do total. Em países mais desenvolvidos, a elaboração de projetos, montagem dos cronogramas e as projeções de custos consomem muito mais tempo: cerca de 40% do tempo previsto para uma obra no Japão; na Alemanha, 50%.

A falta de organização se reflete diretamente na qualidade da infraestrutura do país, inclusive quando se trata de obras públicas. O metrô de São Paulo, por exemplo, entrou em operação em 1974 e tem 78 km de trilhos. O metrô de Seul, na Coreia do Sul, foi inaugurado no mesmo ano e já tem 386 km.
Problemas de projeto? Falta de investimento? Nem sempre este é o problema! Um bom planejamento de obra é crucial para conseguir sucesso nos empreendimentos – e uma evolução constante. Basta dedicar-se com mais afinco à esta tarefa e munir-se das informações e ferramentas adequadas.

Agora vamos detalhar passo a passo como fazer um bom planejamento de obra!

1º passo: Estudo de viabilidade de obra

Antes de mais nada, é preciso saber se a empresa tem dinheiro em caixa suficiente para cobrir os custos operacionais. Caso haja, é preciso avaliar se o novo projeto vai trazer lucro ou não. Ou seja, é preciso fazer um estudo de viabilidade financeira da obra!

Se você já faz um controle bem organizado dos custos das suas obras, prever o desembolso e o lucro para a próxima não deve ser grande problema.

Para obter o máximo de confiabilidade no seu estudo de viabilidade econômica o mais recomendado é munir-se do máximo de informações possíveis. Projetos e memoriais descritivos do empreendimento são bons pontos de partida para um estudo de viabilidade econômica. Além disso, é importante ter dados que permitam prever o que esperar deste empreendimento.

Algumas informações que podem ajudar no seu planejamento de obra e estudo de viabilidade:
–  Equipamentos e ferramentas que serão utilizados
–  Custo para execução da fundação
–  Custos e orçamentos para preparação do terreno
–  Custos de terceirização e/ou contratação de mão de obra
–  Prazos para cada etapa da obra
–  Taxa de remuneração da construtora
–  Custo dos projetos arquitetônico, estrutural, elétrico, hidrossanitário, prevenção de incêndio, ambiental, etc.
–  Custos da regularização e licenciamento de obra
–  Possibilidades de financiamento e condições de pagamento
–  Cálculo de Orçamento de Obra
–  Cronograma de Obra organizado
–  Cálculo de Retorno de Investimento (ROI)
–  Cálculo de BDI
–  Planejamento de vendas
Nesta etapa de estudo de viabilidade, o orçamentista é de fundamental importância. Esse profissional em conjunto com os decisores – diretores, sócios, acionistas – é quem vai fornecer as bases para uma definição do projeto.

2º passo – Orçamento de obra

O projeto é viável, você e sua empresa tomaram a decisão de construir: é hora de detalhar o orçamento de obra! Essa etapa de orçamento é crucial para o planejamento de obra!
Você pode utilizar de planilhas para fazer este controle ou então automatizar o processo com um ERP. Alguns dos itens que você não pode esquecer para um orçamento de obra eficiente são o cálculo do BDI e do ROI esperado!

BDI: calculando Benefícios e Despesas Indiretas

O índice BDI na Construção Civil – do Inglês Budget Difference Income ou Benefícios e Despesas Indiretas em Português  – é um elemento orçamentário específico para cada obra e que ajuda a conseguir um preço de venda final melhor levando em conta os custos indiretos. Estes custos indiretos são geralmente tributos municipais, estaduais, margem de incerteza, etc. 

ROI – Return on Investment ou Retorno do Investimento

O Retorno do Investimento é um cálculo simples e que muitas vezes é neglicenciado. Trata-se de saber, efetivamente, qual foi o lucro do seu empreendimento.
Segundo a Endeavor, uma das maiores organizações de apoio ao empreendedorismo, a seguinte fórmula é suficiente para este cálculo:
ROI = (GANHO OBTIDO – INVESTIMENTO INICIAL) / INVESTIMENTO INICIAL
Neste exemplo, supondo que o ganho no seu empreendimento tenha sido 500 mil reais e o investimento inicial tenha sido de 100 mil reais, temos:
ROI = (500.000 – 100.000) / 100.000
ROI = 4
O resultado significa que o retorno foi de quatro vezes o investimento inicial. Para você obter o ROI em forma de porcentagem,é só multiplicar o resultado por 100. Nesse caso, seria de 400%.

3 º passo –  Cronograma físico-financeiro

Com o orçamento detalhado e definido, o Cronograma Físico-Financeiro é o próximo passo: com ele você consegue distribuir os custos por data e etapa da obra.

A importância de um Cronograma Físico-Financeiro na sua obra, é saber com boa previsibilidade quanto tempo os serviços irão durar e quanto irão custar.
Com um Cronograma Físico-Financeiro você pode:
– Mapear todas as atividades e custos relacionados desde o começo até o fim da obra
– Identificar custos mensais acumulados
– Ter um planejamento de obra mais realista
– Melhorar o controle do fluxo de caixa
– Melhorar a previsibilidade da obra

4 º passo –  Regularização da obra

Ainda durante a fase de projeto já é importante se preocupar com a regularização da sua obra! A burocracia para conseguir todas as permissões e licenças de um empreendimento pode empurrar os prazos para frente e causar alterações no projeto. Ou seja, custos extra!
Uma obra sem os requisitos necessários pode receber multas e notificações!  Fique atento para ter tudo que é preciso no seu planejamento de obra! Verifique se o seu canteiro tem tudo que é exigido, como por exemplo a placa indicando o responsável técnico, espaço dedicado para armazenamento de materiais, cercamento com tapumes e passagem para pedestres.

Preste atenção aos requisitos necessários para a regularização e licenciamento da obra, como:
–  Matrícula do imóvel
– Contratação de Profissional Habilitado
–  Projeto Arquitetônico
– Alvará de Construção
– Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)
 – Placa, plantas e ART na Obra
–  Certidão Negativa de Débito (CND) INSS
–  Atestado das concessionárias de água e esgoto
–  Atestado de conformidade da instalação de energia elétrica
–  Auto de vistoria do corpo de bombeiros
–  Habite-se
–  Registro do imóvel

5º passo –  Acompanhamento de atividades da obra

A execução da obra precisa ser acompanhada e avaliada constantemente. Esse é o ponto nervoso que garante o sucesso de um planejamento de obra ou não!

Para garantir uma equipe de execução eficiente e organizada, é essencial ter ou contratar um time excelente.

Avalie o que é mais vantajoso para sua empresa: aumentar o time de execução ou terceirizar a empreitada.
Se a mão de obra for terceirizada, é preciso ter ainda mais cuidado – especialmente com o contrato de empreitada/prestação de serviços. A terceirização da mão de obra é uma boa saída, mas está mais propensa à processos trabalhistas.

Segurança do trabalho

A integridade dos trabalhadores do canteiro de obra deve ser sempre uma prioridade! Acidentes instalam um clima de incerteza, prejudicam o trabalhador, a empresa e a equipe. Para prevenir ocorrências no canteiro de obra é bom garantir:

– Um bom planejamento do canteiro de obra
– Fiscalizar o uso de EPIs e EPCs
– Cercar a obra com tapumes, andaimes e telas de segurança para evitar acidentes com pedestres
– Seguir as normas de segurança
– Armazenar os materiais nos locais adequados

Diário de Obra

O diário de obras é um documento muito importante para o planejamento de obra porque dá uma visão real do que está acontecendo na construção. Preenchê-lo e manter um histórico proporciona uma visão da evolução da obra dia a dia e facilita quando há alguma dúvida ou impasse sobre atrasos ou medições.

Por exemplo, se uma concretagem estava agendada para um dia em que choveu e teve que ser adiada, esse fato deve constar no diário de obras.

6º passo – Ajustando os prazos

A verdade é que um bom planejamento de obra não vai exigir muitas mudanças ou revisões. Porém, quando se verifica que o previsto está longe do realizado, é preciso reformular e adaptar. Estes ajustes são essenciais para ter um método cada vez mais afinado e preciso.

Se formos nos basear nas práticas mais eficientes, podemos adotar métodos como Lean Construction e o Método Tempo-Caminho, por exemplo.

 LEAN CONSTRUCTION

O método de Lean Construction é baseado em uma linha japonesa de pensamento que procura trabalhar com construções enxutas. Ou seja, o foco é comprar e armazenar apenas a quantidade de material necessária para cada etapa, evitando o desperdício. Essa prática baseia-se muito na corrente do toyotismo. 

TEMPO-CAMINHO

O planejamento de obras Tempo-Caminho ajuda a definir diferentes prazos de execução para cada tarefa. Por exemplo o tempo dedicado à Estrutura em uma obra deve ser maior do que o tempo dedicado à Alvenaria. O responsável pelo planejamento de obra pode controlar e prever esses tempos diferentes através de gráficos

7º passo – Acabamento e licenciamento

Quando a obra chega ao momento de acabamento, é hora de conferir se o licenciamento e a entrega do imóvel estão encaminhados e bem planejados.
– Verifique se o Habite-se, Alvarás sanitários, vistorias e outros documentos estão em dia
– Planeje a entrega do imóvel para o cliente
O momento de entregar as chaves com o imóvel pronto para ser usado costuma ser especial para quem vai ocupá-lo. Planeje este ato e garanta que tudo está em ordem para que seu cliente possa aproveitar ao máximo o novo empreendimento!
Um documento que ajuda bastante a conservar a integridade do trabalho da sua equipe e evita o desgaste dos imóveis é o Manual do Proprietário de Imóveis.

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